Estava participando do ENEL (Encontro Nacional dos Estudantes de Letras). Deveria ter ficado a semana toda, mas o encontro estava tão ruim que acabei voltando dois dias antes do previsto. Sabe como é evento organizado por estudante, né?!!! Se for bom a gente até estranha!!! Talvez se fosse em outro lugar eu até ficasse pra conhecer a cidade, mas foi em Belém, lugar que conheço de longa data.
Tirando a comida ruim, a dor nas costas por ter que dormir num colchão no chão, o calor insuportável que quase não deu espaço pra minha chuvinha aparecer e as longas distâncias percorridas a pé, uma coisa maravilhosa aconteceu comigo nesses cinco dias; eu me reaproximei de uma antiga paixão: a poesia.
Uma onda de poesia entrou em meu corpo e me levou de volta pro mar “todos os caminhos levam ao mar...”. Essa onda chegou através de nomes conhecidos, como Chacal ou Nicolas Behr, mas também veio através de vozes estranhas, homens e mulheres que me fizeram pedir desculpas a um amor antigo que eu havia afastado por motivos, agora sei, banais. “A poesia se fez carne” e a minha carne se fez poesia.
Foi tão bom poder ouvir aquelas almas inquietas, poder sentir as palavras escorrendo de dentro pra fora, de fora pra dentro, de lugar nenhum pra qualquer lugar, pra todo lugar,...
Ainda não sei se vou voltar a escrever poesia. A última vez que tentei foi aos 18 anos, num ambiente tão irreal que hoje me pergunto se não foi somente um sonho.
Essa tarde, por coincidência, minha prima me incumbiu de escrever uns versos pra colocar no seu perfil do orkut. É presente de aniversário e por isso vou tentar, mas, como disse Max Martins, “ocorre-me o poema / contudo há a religião / a pátria, o calor”.
E queira Deus, ou os homens, que em mim sempre haja poesia.
Escrito por katy às 20:31