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amo o mar porque ele é tão grande que faz o resto do mundo parecer infinitamente pequeno
amo a chuva porque ela varre esse peso que o mundo carrega e deixa no seu adeus uma leveza pra que nós possamos continuar
p.s.: estou com muita raiva agora porque, como diz a música, "sempre que estou indo, volto atrás..."
amar fazer destruir cães (viajores de um dia) hilda hilst
tens escrito foi o que disseste mas desde então nada mais li de ti nem vi teus quadros na última exposição não fui fiquei num bar sozinho isso foi um erro não ir a tua exposição qual era mesmo o nome? agrilhoados & vagantes título tirado de um poeta amigo teu mas de resto tudo te pertencia ali foi o que disseram li nos jornais já vai adiantado quem ainda poderá saber? nos jornais as palavras não servem pra mais nada muito menos pra falar de arte [talvez de crimes gotejando sangue sem parar] leitores querem outra coisa levantar um pouco o véu & interrogar-se não se curvar mais diante de fatos não se confirmar aí enquanto peço desculpas fazer um poema pra isso eu deveria ficar quieto por certo nem notaste que não fui encoberto na sombra de teus quadros olhando-os & andando a galeria pelo avesso velha casa dos exilados onde nada chega ao fim lupan é virtual & veloz guia dentes heavy metal assobia ao invés de latir bebemos muito ali não mata esvazio meu copo ainda a pele revestida de musgo tão suave quanto um sapato movediça abre-se em feridas calos suores por vezes respira poros fermentados desatam a falar tamanha transparência das coisas drogas sexo tv teus quadros prometem afrontar a vida agitá-la numa guerra interior agrilhoados & vagantes exaustos horas a fio acostamos ao redor das mesas fortes bafios de urina bar do parque putas desfilam sobre cavalos a realidade vacila sob a chuva consumida de vigílias & silêncio [lambei lambei o sal até que tudo apodreça]
[ney ferraz paiva - poemas do livro inédito Val-de-Cães]
Escrito por katy às 22:27
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esses dias eu andei pensando no medo, nesse sentimento que invade nossas vidas de formas tão diferentes. em alguns, ele funciona como um mecanismo de defesa que te protege em momentos simples da vida, como atravessar a rua, em outros, ele destrói. li que existe uma doença em que a pessoa afetada não sente medo e isso coloca sua vida em risco quase que o tempo todo. por não sentir medo, a pessoa não toma cuidados básicos para manter sua integridade física. volto ao exemplo do atravessar a rua. como seria se não nos preocupássemos em olhar para os lados? meus gatos não olham para os lados, eles só correm como loucos!!!! mas a rua da minha casa é bem tranqüila, e eles são gatos né?!!
mas, voltando ao medo dos humanos, eu percebi que hoje meus medos são menos materiais do que antes, não sinto mais medo do escuro, nem dos monstros nos filmes (só um pouquinho), não tenho medo de viajar sozinha e o medo de ser assaltada de novo já é bem menor do que há uns meses atrás.
mas se uns medos diminuem, os outros aumentam em proporções maiores do que as que eu posso administrar. outro dia vi na tv que um policial foi punido por assumir sua homossexualidade. lembro que no momento me perguntei o que uma coisa tem a ver com a outra!!!! Mas... deixei pra lá. só que aí, uns meses depois, assisti a outra situação parecida, em que um policial, não lembro a patente, disse a um outro policial que esse não podia exercer a profissão porque era homossexual. vi também, por uma semana, um homem dizer que amava uma menina e depois atirar na cabeça dela. escutei um outro homem, que ocupa um cargo importante, dizer que proteger torturadores é necessário para manter a tranqüilidade do país. vi pais matando filhos, cortando seus pedaços e embalando em sacos de lixo... vi tantas coisas em tão pouco tempo. coisas que me dão medo, mais do que medo, me fazem pensar em quem somos e quais os nossos valores. por que não me assusto mais com os monstros dos filmes? será que é porque os verdadeiros monstros são reais?
p.s.: para quem quiser dá um final pra história da marina, da viagem no deserto, é só visitar o post anterior.
Escrito por katy às 22:01
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