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diálogo a sós II
cenário: meu quarto eu: oi madrugada. como vai? madrugada: bem, e você? eu: vou indo... madrugada: ultimamente, você tem me visitado bastante. eu: verdade. gosto daqui. você é tranqüila e me dá paz. quando venho aqui, suporto melhor o dia. madrugada: mas você precisa dormir. está cada vez mais cansada. vai ficar doente. eu: não se preocupe. eu sei me cuidar. a gente pode conversar um pouco? madrugada: claro. sobre o que você quer conversar hoje? eu: nada em especial. só estava pensando e queria dividir meus pensamentos com alguém. madrugada: então divida comigo. sabe que pode confiar em mim para guardar os seus segredos. eu: eu sei e agradeço por isso. estava pensando em quem eu sou e no que gostaria de ser. queria ser palavras, não, melhor, queria ser letras, para formar palavras. ser usada por um escritor, ser versos que falem da tristeza e do vazio, da chuva e do amor, do mar e das estrelas,... madrugada: nós já conversamos sobre isso. você tem que parar de querer ser o que não é. ao invés de querer ser palavras para formar versos, porque você não usa palavras de verdade para escrever? eu: porque não encontro palavras que representem o que eu gostaria de dizer. precisaria criar, traduzir, ensinar as pessoas a lerem em uma língua nova, a pensar e sentir de forma diferente. madrugada: isso é muito difícil. você é complicada até pra mim. e olha que eu escuto muitas pessoas, todos os dias. eu: eu sei. sou complicada até pra mim mesma. vou ler um pouco e depois tentar dormir. quem sabe eu não sonho que sou as linhas traçadas por tolstói e me perco nos bailes de ana. boa noite madrugada e obrigada por ter me escutado. madrugada: boa noite. estarei sempre aqui pra você.
p.s.: diálogo a sós I Escrito por katy às 02:49 []
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